O PÁTIO DOS ENFORCADOS
No pátio
jaz
o patíbulo
e a corda.
No ar,
esponjas de fel.
Nas esquinas do tempo
a cal e as cruzes
de sangue
o sal
a mão
do carrasco.
Há ruínas de palácios
e sombras de cicatrizes
e sob o manto de asfalto
fermentam
velhas raízes
adubadas de silêncio
e da palavra
enforcada:
nos labirintos do tempo
treme a flor anunciada
e floresce
no patíbulo
a corda
desabrochada.
Há ruas
loucas de fome
e uma sede de séculos
nessa praça
envergonhada.

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