sexta-feira, 23 de julho de 2010

MARCUS VINICIUS QUIROGA











TALVEZ POÉTICA



um poema se faz do que não se sabe,
do que existe e é ainda obscuro;
espécie de sambaqui, reúne as sobras
com feição de incorreto ou de sujo;
seguidamente desce ao fundo
e recolhe todo tipo de matéria submersa,
para depois tirar das palavras brutas
o texto que tantas vezes reescreve.

não se vê de antemão a última forma,
que mesmo ela perdura efêmera;
estas coisas de poesia vão no fluxo,
só vêm à tona na folha de quando em vez;
um dia desaparecem nos olhos
e só servem de papel para reciclagem,
certo que é tanto o custo de se fazer
e o existir tão pouco, tiro na ave.

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